Pequenos Poemas - III

Escrito em Julho de 2007

Razão x desejo


A razão é imprecisa,

abstrata.

O desejo é indiscutível
e absoluto.

Quem deseja, sempre tem razão.


***

O caminho

Passou a vida
seguindo regras
e receitas

para alcançar a felicidade.

E fracassou.

E, enfim, foi feliz.

***

Dúvida


Ou você ama,
ou não ama.

Não há meio termo.

Ignorar que se ama,
ainda é uma forma de amar.

***

Sonhos

Aos doze
queria abraçar o mundo.

Os anos passaram
e ele continua com doze.

***

Onde existo

Meu endereço é relativo.

Não me procure
onde estou.

Vivo mais

onde quero ser.


Fernando Palma

Escrito em Julho de 2007


Obs: a reprodução dos textos é permitida contanto que haja devidas referências.Todas as produções são registradas.

Pequenos Poemas - I

I


Aprendi a me conhecer
lentamente.
A mudar
rapidamente.


Quando me descubro já não sou.



Pequenos Poemas - II




Soletrei teu nome
para tentar esquece-lo.
Pousei rascunhos em teu olhar, como se você estivesse aqui.


E você estava.

Frases Inspirantes - IX

"Na burrice desesperada da fome, morro sempre abocanhando os mesmos anzóis" Eduardo Baszczyn

Frases Inspirantes - VIII

"Não há nada que possa acontecer na sua vida que não tenha tido antes o consenso nos seus pensamentos" Stefano D`Anna

Frases Inspirantes - VII

"Se ficou esperando por algum motivo para vencer, perdeu mais uma vez a chance de seguir em frente"


 Fernando Lapolli

Pequenos Poemas - IV



Perfil - I



Ela derrota a felicidade pelo cansaço.

Confunde desejo com pecado,
alegria com loucura.

Erra consigo para não errar com os outros.
Culpa os outros
por errar consigo.

Sonha acordada,
se acorda sonhando.

Não acredita em expectativas,
ilusões.
Não acredita em destino,
compromisso.


Olha para os dois lados antes de atravessar suas vontades.

Refuga.
Não decide, pede opinião.


Pequenos Poemas - V

Versos Etílicos em Cabeceiras de Bar 



"Chega,

excedi-me em sonhos.


Mais duas doses e paro.”


“Você disse isso há dois sonhos atrás”.







Frases - Machado de Assis

"O coração é o relógio da vida. Quem não o consulta, anda naturalmente fora do tempo." 
Machado de Assis

Vitor Freire

Um Binga de Gente




O mundo quase não cabia em seu kichute. Quando pequeno, achava que Deus era o tio de barba que ajudava a fazer o gol. Fingia o sono até a mãe silenciar o apartamento. Descalço, sumia com cautela de si, mas deixava os dentes rangendo e uma voz, a mãe cresceu achando que ele falava dormindo. A epóca era fértil, cada passo uma semente, mesmo sem a paciência de esperar germinar: às vezes inundava o quarto de lágrimas tentando regar. Sua paixão era o céu negro, a noite, o futebol dos mais velhos que só acontecia nessa hora milagrada pelas estrelas. Durante muito tempo até ele mesmo acreditou no futebol como motivação. Acreditou no céu, nas estrelas, na lua. Quando finalmente descobriu a filha do goleiro, não teve dúvidas. Os dentes ainda desgastavam o sono da mãe, quando o beijo pintou o rosto dela: no mesmo momento o goleiro sucumbia ao gol, como se intuitivamente soubesse que sua filha acabara de ser menos sua filha e mais namorada de outro. O segredo, o mapa dos pontos escuros do condomínio, e os vestígios sendo apagados, menos os rostos sorridentes, e desculpas cretinas para a felicidade. É a escola pai, está tão bom lá. O cavanhaque diabólico do goleiro-delegado proibia qualquer insinuação. Construiram um barquinho e navegavam as noites, às vezes pescavam estrelas. E o amor em versinhos escorrendo no ouvido dela. Quando as palavras lhe ultrapassavam, jamais perdia o fôlego, sempre pedia carona.

Um dia o goleiro-delegado-cavanhaque diabólico furou o barquinho e o fez de réu. O amor é desses crimes que confessar é tão bom quanto cometê-lo.


Vitor Freire

Ps: Na minha opnião, um dos textos mais inspirantes dele. E foi inspirado nos textos dele que criei o blog.

Pequenos Poemas



Brincadeira de Criança







Estico os dedos para alcançar por dentro.


Brinco de esconder,
procuro novo de mim.


Há mais esconderijos que olhos,
não sou capaz de me encontrar.


Todos que fui
ainda não me acharam.


Brinco de perder-me,
brinco de desorganizar,
brinco de inverter
brinco de desorganizar,
brinco de perder-me,


Clarice Lispector



"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

Clarice Lispector

Amor Proibido - II



E quando muito queria lhe dizer algo, fazia silêncio. Assim, ele se inventou dentro de mim, por mais que tentasse reprimi-lo. Meu silêncio declarou meu amor mesmo quando eu ainda tinha medo. Meu silêncio lhe recitou versos antes de eu começar a tentar a poesia. Meu silêncio balbuciava o seu nome, mesmo quando você não estava por perto. Mas meu silêncio ficava ainda mais engrandecido quando eu falava com você. Estranho? Quando agente conversava, eu também estava fazendo silêncio.

Fernando Palma

Obs: a reprodução dos textos é permitida contanto que haja devidas referências.Todas as produções são registradas. 



Texto publicado originalmente em Junho de 2005



Um Pouco de Infância e Alguns Ventos - I




Danii IV - Afinal, quem é Danii?




A sensação Danii





Pablo Picasso, Mulher Ao Espelho, 1932



Quando eu acordo ela já está cutucando o dia, encostada no travesseiro dobrado, apoiado na cabeceira da cama. Ela larga o notebook e olha pro meu rosto buscando qualquer expressão, sem notar que eu abri os olhos e voltei a dormir, depois de avaliar alguns segundos se havia sono. A verdade é que talvez ela já tenha desvendado este meu pequeno segredo de nossa rotina: o de disfarçar ao despertar para dormir novamente. Mas não o que ainda estou por revelar: o quanto um homem se torna feliz por este simples instante. É  lúcida representação do amor estável, que não falha quando você se distrai, tropeça ou descansa, pelo fato ingênuo de, pacientemente, o aguardar despertar. Sensação de quem te aconchega, e o suprime com um alimento da felicidade de alguns segundos, matando de fome qualquer tristeza no início de um dia. Um extermínio à solidão de qualquer homem. Acho que isso sintetiza o sentimento que há tempos tento transcrever em um "novo Danii". Este ínfimo intervalo do nosso convívio. Quando tentei escrever para ela pela primeira vez, eu me lembro de ter buscado uma definição e acabei mudando a prosa e caindo em segunda pessoa, uma pena. Esta é a minha estréia em terceira. É diferente de tudo que fiz e um pouco mais atrevido: já fui motivador, um apaixonado declarado, pescador de translações que caibam no nosso afeto jovem, sabiamente tolo, com detalhes só nossos. Hoje, neste instante, sou simplesmente um narrador de Danii. E definir Danii não é como descrever afeição, semblante e expressão, ou delinear nestas letras de forma as suas fórmulas que me agradam e deduzem por completo a minha equação. É justamente o oposto. É, em vez disso, [acreditem] falar mais de mim, do que dela mesma: vejam que incoerência de terminações. Não é a pessoa Danii, mas a sensação Danii que eu estou me referindo. É como tentar definir uma alegria minha em olhar para frente, fazer planos em papel de presentes a cada dia três do mês, nosso momentos, agrados, minha maneira secreta de chamá-la, sonhos meio extrovertidos transcritos em palavras no meu blog, ansiando a aprovação dela nos minutos seguintes. É apenas e completamente isso. Eu podia ficar aqui tentando escrever diversas sentidos implícitos bonitos para definir quem ela é, inspirar metáforas em autores e analogias leves, como suas mãos me tocando ao acordar. Mas esse texto não é para exibir seus detalhes íntimos, ou expor sua aparência que pertence só a mim. Isso aqui é só para resumir este intervalo trivial, enquanto durmo, idealizando a sua companhia premeditada, todas vezes em que eu sacio sua espera e abro os olhos, em nossas manhãs únicas, intermináveis. Danii é o nome que eu dou a minha alegria com meu próprio futuro. 

Fernando Palma

Obs: a reprodução dos textos é permitida contanto que haja devidas referências.Todas as produções são registradas. 

Adelmenito

Texto de Vitor Freire

"Adelmenito sabe quando não sabe das coisas. E se você permitir pensar bem sobre, vai ver formosura nisso. Cresceu assim, de menino que vai ser para jovem olha como tá sendo. O futuro ainda não tinha alinhado, porque o futuro que a gente espera não dá carona. Futuro não é trêm que se espere, dizia o povo de Jabaquara. Antes as coisas sabidas do povo de Jabaquara ou Amargosa eram sempre dadas de abobinhagem. Até que Adelmenito chegou na cidade trazendo de inteligência as prosas das outras cidades. Não que ele tivesse nascido por aí, mas ele era bom de ouvir. Quem sabe quando não sabe costuma ser bom ouvidor. Era assim, aprumando as pensatas nos bolsos, que ele chegou na hospedagem de quem é de faculdade. Esse povo da faculdade é sempre vindo de outros cantos. Até acharam bom quando subiu a tijolada, mas hoje já ouve-se o lamurinho de pé-de-praça: pra quê se as sabedorias não ficam na cidade? Vem de fora, fica um tempinho, e vai-se embora assim que pega o papelete. Numa dessas lamurinhêras, um tonto deu grandeza para uma tolice contra a faculdade. Foi um rebuliço. O tonto colocou sangue nos olhos daquele povo, arrepiado das entranhas, fizeram chame-chame, sanguizêra, bacurinhação e pedregulhada. Pela desgraça dos azares, a falta de sorte tropeçou Adelmenito, justo o do não-saber. Se eu tivesse só dois olhos, falaria o que tinha acontecido. Mas como vem outras coisas no corpo da gente, bagunçando o coreto das sensações, não sei para onde foi. Tinha aquele cheiro de dor com sangue esmagado. Aquela dor que não é justa, que não tem pertencimento, que nasce sempre de alguma desgraça órfã, pedindo esmola nas ladeiras do peito. Tinha tudo pra ser, falou um remelento arrependido.

Frases de Pensadores - VI



"Devia haver um curso no primeiro grau de amor."

Andy Warhol

Frases de Pensadores - V





"‎O melhor aço tem que passar pelo fogo mais quente."




Richard Nixon

Abraço

Texto originalmente escrito em 04/09/05






É que a melhor forma que encontrei de receber abraços foi os dando.
É preciso acreditar em abraços para que eles realmente existam em sua vida. É preciso acreditar neles para enxergá-los. É preciso enxergar não só os abraços compostos de braços mas também os abraços de palavras. É preciso aprender também a enxergar os abraços em silêncio. Com tempo você descobre como abraçar, embora algumas pessoas simplesmente não aprendam. Se uma pessoa não te abraça da maneira que você espera não significa que ela não esteja te abraçando. Abraço também requer habilidade. É preciso ensinar a abraçar para ser abraçado. É importante aprender diversas maneiras de abraçar quem você gosta. Fica muito mais divertido. Até que chegue o momento que se permita implementar um forte abraço com os braços mesmo.


Todo dia alguém tenta te abraçar e você nem percebe.




Fernando Palma





Ps: Este texto é uma homenagem a amiga Princess. E é , também, um abraço.


Obs: a reprodução dos textos é permitida contanto que haja devidas referências.Todas as produções são registradas. 





Amores e Sonhos em Liquidação



I

Não tenho talento para negociar. Não aprendo nunca. Prometo-me ser firme, cobrar mais da próxima vez. Exigir algo justo, que valha a pena. Mas chegando o momento, acabo sendo flexível, como sempre. Já desisti de tentar me valorizar. O meu amor é amostra grátis.

***


II
“É que meus sonhos têm juros muito altos, sabe?”

“Sei como é. O sonho não para nuca de crescer, crescer...”


“Não é bem isso. É que toda vez que finalmente posso pagar o preço por ele, já ficou mais caro.”

***

Verdade

"gosto de indiretas, entrelinhas e subtextos.
a verdade não é explícita."


Eduardo Baszczyn

Felicidade Estéril - Vitor Freire

"Essa felicidade que vem logo depois da tristeza, como um suspiro, um susto, um grito, é uma felicidade estéril. É legal, mas não se reproduz."


Vitor Freire

Amor Proibido - VI

Deixo sua lembrança me amanhecer. Abrevio sua face à cabeceira da cama. O dia já não é um qualquer, chega com maior riqueza de significados e até o silencio parece querer me dizer algo. É uma agressão tentar não pensar em você. Infantilizo sentimentos pela manhã para brincarmos de nos desejar pela tarde. As mãos dos meus olhos corrompem distâncias para tocar o seu corpo, ultrapassam qualquer lei existente na física, meu suspiro é minha voz sonolenta tentando te dar um bom dia. Esqueço o relógio, o tempo que você mora dentro de mim não pode ser medido por minutos, o tempo que eu te esqueci foi só uma maneira de te amar mais. Excedo-me para pagar os desejos atrasados, quero te confessar as mais reprimidas vontades que me tomaram de vez em quanto, por todos esses anos. Eu estou atrasado na sua vida, mas estou na sua vida. E agora não somos mais reféns do que aconteceu, somos donos do que estar por acontecer.


Fernando Palma


Ps: texto de setembro de 2006.






Obs: a reprodução dos textos é permitida contanto que haja devidas referências.Todas as produções são registradas. 

Por não estarem distraídos

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

Clarice Lispector

Frases de Pensadores - IV



"Não conheço nenhuma fórmula infalível para obter o sucesso, mas conheço uma forma infalível de fracassar: tentar agradar a todos"




John F. Kennedy